CRIME, FÉ E PODER: conexões entre pentecostalismo e narcotráfico no Brasil sob a perspectiva da sujeição criminal
DOI:
https://doi.org/10.70365/2764-0779.2026.176Palabras clave:
Traficantes; Pentecostalismo; Sujeição criminal; Legitimação; Poder.Resumen
O presente artigo visa analisar, por meio de pesquisa bibliográfica e abordagem qualitativa, de que forma o discurso das igrejas pentecostais se conecta com as práticas de narcotraficantes nos grandes centros urbanos brasileiros. Tal análise se justifica em virtude da existência, em inúmeros aglomerados, de lideranças do tráfico que se converteram ao pentecostalismo, muito embora as igrejas sustentem a incompatibilidade entre “ser criminoso” e “ser evangélico”. A hipótese que se levanta é a de que o conceito de sujeição criminal, de Michel Misse, auxilia na compreensão do redirecionamento da fé desses narcotraficantes e das classes subalternas urbanas em geral para o pentecostalismo, uma vez que a religião pode servir para atenuar esse processo de aceitação do rótulo de “bandido”, impedindo que o indivíduo se reconheça como essencialmente mau e perigoso. Além disso, a apropriação do discurso e dos símbolos pentecostais pelos traficantes pode ser útil para legitimar suas atividades criminosas e posicioná-los como autoridades morais perante a comunidade, valorizando sua liderança e gestão.
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